a OBSERVATÓRIO DA PAX

domingo, 14 de janeiro de 2018

104º Dia Mundial do Migrante e do Refugiado: Vamos acolher, proteger, promover e integrar



Vamos acolher, proteger, promover e integrar refugiados como o Papa Francisco nos pede.

https://migrants-refugees.va/

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TEXTO COMPLETO

As migrações, nas suas diversas formas, certamente que não representam um fenómeno novo na história da humanidade.

Elas marcaram profundamente todas as épocas, favorecendo o encontro dos povos e o nascimento de novas civilizações.

Infelizmente, em muitos casos as pessoas são forçadas a deslocar-se por causa dos conflitos, calamidades naturais, perseguições, mudanças climáticas, violências, pobreza extrema e condições de vida indignas.

A nossa resposta comum poderia articular-se em volta de quatro verbos: acolher, proteger, promover e integrar.

Acolher

Um acolhimento responsável e digno destes nossos irmãos e irmãs começa pela sua primeira acomodação em espaços adequados e decentes.

Proteger

Referimo-nos a milhões de trabalhadores e trabalhadoras migrantes — e especialmente quantos se encontram numa situação irregular — de pessoas deslocadas e de requerentes de asilo, de vítimas do tráfico humano.

A defesa dos seus direitos inalienáveis, a garantia das suas liberdades fundamentais e o respeito pela sua dignidade são tarefas das quais ninguém se pode eximir.

Promover

Proteger não é suficiente; é necessário promover o desenvolvimento humano integral de migrantes, pessoas deslocadas e refugiados.

A primeira responsabilidade pela promoção humana dos migrantes e das suas famílias pertence às comunidades de origem onde, juntamente com o direito a poder emigrar, deve ser garantido também o direito a não ter que emigrar.

Integrar

A integração, que não é assimilação nem incorporação, constitui um processo bidirecional, que se baseia essencialmente no mútuo reconhecimento da riqueza cultural do outro.


A meu ver, conjugar estes quatro verbos, na primeira pessoa do singular e na primeira pessoa do plural, representa hoje um dever.

Por isso, é importante que os Pactos globais sejam inspirados pela compaixão, clarividência e coragem!

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104º Dia Mundial do Migrante e do Refugiado: Acolher, proteger, promover e integrar os migrantes e os refugiados

MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO
PARA O DIA MUNDIAL DO MIGRANTE E DO REFUGIADO 2018
[14 de janeiro de 2018]

“Acolher, proteger, promover e integrar
os migrantes e os refugiados”



Queridos irmãos e irmãs!

«O estrangeiro que reside convosco será tratado como um dos vossos compatriotas e amá-lo-ás como a ti mesmo, porque foste estrangeiro na terra do Egito. Eu sou o Senhor, vosso Deus» (Lv 19, 34).

Repetidas vezes, durante estes meus primeiros anos de pontificado, expressei especial preocupação pela triste situação de tantos migrantes e refugiados que fogem das guerras, das perseguições, dos desastres naturais e da pobreza. Trata-se, sem dúvida, dum «sinal dos tempos» que, desde a minha visita a Lampedusa em 8 de julho de 2013, tenho procurado ler sob a luz do Espírito Santo. Quando instituí o novo Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, quis que houvesse nele uma Secção especial (colocada temporariamente sob a minha guia direta) que expressasse a solicitude da Igreja para com os migrantes, os desalojados, os refugiados e as vítimas de tráfico humano.

Cada forasteiro que bate à nossa porta é ocasião de encontro com Jesus Cristo, que Se identifica com o forasteiro acolhido ou rejeitado de cada época (cf. Mt 25, 35.43). O Senhor confia ao amor materno da Igreja cada ser humano forçado a deixar a sua pátria à procura dum futuro melhor.[1] Esta solicitude deve expressar-se, de maneira concreta, nas várias etapas da experiência migratória: desde a partida e a travessia até à chegada e ao regresso. Trata-se de uma grande responsabilidade que a Igreja deseja partilhar com todos os crentes e os homens e mulheres de boa vontade, que são chamados a dar resposta aos numerosos desafios colocados pelas migrações contemporâneas com generosidade, prontidão, sabedoria e clarividência, cada qual segundo as suas possibilidades.

A este respeito, desejo reafirmar que «a nossa resposta comum poderia articular-se à volta de quatro verbos fundados sobre os princípios da doutrina da Igreja: acolher, proteger, promover e integrar».[2]

Considerando o cenário atual, acolher significa, antes de tudo, oferecer a migrantes e refugiados possibilidades mais amplas de entrada segura e legal nos países de destino. Neste sentido, é desejável um empenho concreto para se incrementar e simplificar a concessão de vistos humanitários e para a reunificação familiar. Ao mesmo tempo, espero que um número maior de países adote programas de patrocínio privado e comunitário e abra corredores humanitários para os refugiados mais vulneráveis. Além disso seria conveniente prever vistos temporários especiais para as pessoas que, escapando dos conflitos, se refugiam nos países vizinhos. As expulsões coletivas e arbitrárias de migrantes e refugiados não constituem uma solução idónea, sobretudo quando são feitas para países que não podem garantir o respeito da dignidade e dos direitos fundamentais.[3] Volto a sublinhar a importância de oferecer a migrantes e refugiados um primeiro alojamento adequado e decente. «Os programas de acolhimento difundido, já iniciados em várias partes, parecem facilitar o encontro pessoal, permitir uma melhor qualidade dos serviços e oferecer maiores garantias de bom êxito».[4] O princípio da centralidade da pessoa humana, sustentado com firmeza pelo meu amado predecessor Bento XVI,[5] obriga-nos a antepor sempre a segurança pessoal à nacional. Em consequência, é necessário formar adequadamente o pessoal responsável pelos controlos de fronteira. A condição de migrantes, requerentes de asilo e refugiados exige que lhes sejam garantidos a segurança pessoal e o acesso aos serviços básicos. Em nome da dignidade fundamental de cada pessoa, esforcemo-nos por preferir outras alternativas à detenção para quantos entrem no território nacional sem estar autorizados.[6]

O segundo verbo, proteger, conjuga-se numa ampla série de ações em defesa dos direitos e da dignidade dos migrantes e refugiados, independentemente da sua situação migratória.[7] Esta proteção começa na própria pátria, consistindo na oferta de informações certas e verificadas antes da partida e na sua salvaguarda das práticas de recrutamento ilegal.[8] Tal proteção deveria continuar, na medida do possível, na terra de imigração, assegurando aos migrantes uma assistência consular adequada, o direito de manter sempre consigo os documentos de identidade pessoal, um acesso equitativo à justiça, a possibilidade de abrir contas bancárias pessoais e a garantia duma subsistência vital mínima. Se as capacidades e competências dos migrantes, requerentes de asilo e refugiados forem devidamente reconhecidas e valorizadas, constituem verdadeiramente uma mais-valia para as comunidades que os recebem.[9] Por isso, espero que, no respeito da sua dignidade, lhes seja concedida a liberdade de movimento no país de acolhimento, a possibilidade de trabalhar e o acesso aos meios de telecomunicação. Para as pessoas que decidam regressar ao seu país, sublinho a conveniência de desenvolver programas de reintegração laboral e social. A Convenção Internacional sobre os Direitos da Criança oferece uma base jurídica universal para a proteção dos menores migrantes. É necessário evitar-lhes qualquer forma de detenção por motivo da sua situação migratória, ao mesmo tempo que lhes deve ser assegurado o acesso regular à instrução primária e secundária. Da mesma forma, é preciso garantir-lhes a permanência regular ao chegarem à maioridade e a possibilidade de continuarem os seus estudos. Para os menores não acompanhados ou separados da sua família, é importante prever programas de custódia temporária ou acolhimento.[10] No respeito pelo direito universal a uma nacionalidade, esta deve ser reconhecida e devidamente certificada a todos os meninos e meninas no momento do seu nascimento. A situação de apátrida, em que às vezes acabam por se encontrar migrantes e refugiados, pode ser facilmente evitada através duma «legislação sobre a cidadania que esteja em conformidade com os princípios fundamentais do direito internacional».[11] A situação migratória não deveria limitar o acesso aos sistemas de assistência sanitária nacional e de previdência social, nem à transferência das respetivas contribuições em caso de repatriamento.

Promover significa, essencialmente, empenhar-se por que todos os migrantes e refugiados, bem como as comunidades que os acolhem, tenham condições para se realizar como pessoas em todas as dimensões que compõem a humanidade querida pelo Criador.[12] Dentre tais dimensões, seja reconhecido o justo valor à dimensão religiosa, garantindo a todos os estrangeiros presentes no território a liberdade de profissão e prática da religião. Muitos migrantes e refugiados possuem competências que devem ser devidamente certificadas e avaliadas. Visto «o trabalho humano, pela sua natureza, estar destinado a unir os povos»,[13] encorajo a que se faça tudo o possível para se promover a integração socio-laboral dos migrantes e refugiados, garantindo a todos – incluindo os requerentes de asilo – a possibilidade de trabalhar, percursos de formação linguística e de cidadania ativa e uma informação adequada nas suas línguas originais. No caso de menores migrantes, o seu envolvimento em atividades laborais precisa de ser regulamentado de modo a que se evitem abusos e ameaças ao seu crescimento normal. Em 2006, Bento XVI sublinhava como a família, no contexto migratório, é «lugar e recurso da cultura da vida e fator de integração de valores».[14] A sua integridade deve ser sempre promovida, favorecendo a reunificação familiar – incluindo avós, irmãos e netos – sem nunca o fazer depender de requisitos económicos. No caso de migrantes, requerentes de asilo e refugiados portadores de deficiência, deve ser assegurada maior atenção e apoio. Embora considerando dignos de louvor os esforços feitos até agora por muitos países em termos de cooperação internacional e assistência humanitária, espero que, na distribuição das respetivas ajudas, se considerem as necessidades (como, por exemplo, de assistência médica e social e de educação) dos países em vias de desenvolvimento que acolhem fluxos enormes de refugiados e migrantes e de igual modo se incluam, entre os beneficiários, as comunidades locais em situação de privação material e vulnerabilidade.[15]

O último verbo, integrar, situa-se no plano das oportunidades de enriquecimento intercultural geradas pela presença de migrantes e refugiados. A integração não é «uma assimilação, que leva a suprimir ou a esquecer a própria identidade cultural. O contacto com o outro leva sobretudo a descobrir o seu “segredo”, a abrir-se para ele, a fim de acolher os seus aspetos válidos e contribuir assim para um maior conhecimento de cada um. Trata-se de um processo prolongado que tem em vista formar sociedades e culturas, tornando-as cada vez mais um reflexo das dádivas multiformes de Deus aos homens».[16] Este processo pode ser acelerado pela oferta de cidadania, independentemente de requisitos económicos e linguísticos, e por percursos de regularização extraordinária para migrantes que possuam uma longa permanência no país. Insisto mais uma vez na necessidade de favorecer em todos os sentidos a cultura do encontro, multiplicando as oportunidades de intercâmbio cultural, documentando e difundindo as «boas práticas» de integração e desenvolvendo programas tendentes a preparar as comunidades locais para os processos de integração. Tenho a peito sublinhar o caso especial dos estrangeiros forçados a deixar o país de imigração por causa de crises humanitárias. Estas pessoas necessitam que lhes seja assegurada uma assistência adequada para o repatriamento e programas de reintegração laboral na sua pátria.

De acordo com a sua tradição pastoral, a Igreja está disponível para se comprometer, em primeira pessoa, na realização de todas as iniciativas propostas acima, mas, para se obter os resultados esperados, é indispensável a contribuição da comunidade política e da sociedade civil, cada qual segundo as próprias responsabilidades.

Durante a Cimeira das Nações Unidas, realizada em Nova Iorque em 19 de setembro de 2016, os líderes mundiais expressaram claramente a vontade de se empenhar a favor dos migrantes e refugiados para salvar as suas vidas e proteger os seus direitos, compartilhando tal responsabilidade a nível global. Com este objetivo, os Estados comprometeram-se a redigir e aprovar até ao final de 2018 dois acordos globais (Global Compacts), um dedicado aos refugiados e outro referente aos migrantes.

Queridos irmãos e irmãs, à luz destes processos já iniciados, os próximos meses constituem uma oportunidade privilegiada para apresentar e apoiar as ações concretas nas quais quis conjugar os quatro verbos. Por isso, convido-vos a aproveitar as várias ocasiões possíveis para partilhar esta mensagem com todos os atores políticos e sociais envolvidos – ou interessados em participar – no processo que levará à aprovação dos dois acordos globais.

Neste dia 15 de agosto, celebramos a solenidade da Assunção de Maria Santíssima ao Céu. A Mãe de Deus experimentou pessoalmente a dureza do exílio (cf. Mt 2, 13-15), acompanhou amorosamente o caminho do Filho até ao Calvário e agora partilha eternamente da sua glória. À sua materna intercessão confiamos as esperanças de todos os migrantes e refugiados do mundo e as aspirações das comunidades que os acolhem, para que todos, no cumprimento do supremo mandamento divino, aprendamos a amar o outro, o estrangeiro, como a nós mesmos.

Vaticano, 15 de agosto de 2017

Solenidade da Assunção da Bem-aventurada Virgem Maria


FRANCISCO


[1] Cf. Pio XII, Constituição apostólica Exsul Familia, Titulus Primus, I.

[2] Francisco, Discurso aos participantes no Fórum Internacional «Migrações e Paz» (21 de fevereiro de 2017).

[3] Cf. Intervenção do Representante Permanente da Santa Sé na CIII Sessão do Conselho da OIM (26 de novembro de 2013).

[4] Francisco, Discurso aos participantes no Fórum Internacional «Migrações e Paz».

[5] Cf. Carta encíclica Caritas in veritate, 47.

[6] Cf. Intervenção do Observador Permanente da Santa Sé na XX Sessão do Conselho dos Direitos Humanos (22 de junho de 2012).

[7] Cf. Bento XVI, Carta encíclica Caritas in veritate, 62.

[8] Cf. Pontifício Conselho para a Pastoral dos Migrantes e dos Itinerantes, Instrução Erga migrantes caritas Christi, 6.

[9] Cf. Bento XVI, Discurso aos participantes no VI Congresso Mundial para a Pastoral dos Migrantes e dos Refugiados (9 de novembro de 2009).

[10] Cf. Bento XVI, Mensagem para o Dia Mundial do Migrante e Refugiado (2010); S. Tomasi, Intervenção na XXVI Sessão Extraordinária do Conselho para os Direitos do Homem sobre os direitos humanos dos migrantes (13 de junho de 2014).

[11] Pontifício Conselho para a Pastoral dos Migrantes e dos Itinerantes e Pontifício Conselho Cor Unum, Acolher Cristo nos refugiados e nas pessoas forçadamente desenraizadas (2013), 70.

[12] Cf. Paulo VI, Carta encíclica Populorum progressio, 14.

[13] João Paulo II, Carta encíclica Centesimus annus, 27.

[14] Mensagem para o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado (2007).

[15] Cf Pontifício Conselho para a Pastoral dos Migrantes e dos Itinerantes e Pontifício Conselho Cor Unum, Acolher Cristo nos refugiados e nas pessoas forçadamente desenraizadas (2013), 30-31.

[16] João Paulo II, Mensagem para o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado em 2005 (24 de novembro de 2004).

Vatican.va

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sábado, 13 de janeiro de 2018

Semana da Oração pela Unidade dos Cristãos 2018: Celebração Nacional


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Semana da Oração pela Unidade dos Cristãos 2018: Calendário das celebrações no Porto


Comissão Ecuménica Diocesana do Porto

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Intenção do Papa Francisco para o mês de Janeiro: Pelas minorias religiosas na Ásia



Para que, nos países asiáticos, os cristãos, bem como as outras minorias religiosas, possam viver a sua fé com toda a liberdade.

Papa Francisco - Janeiro 2018

Vídeo do Papa

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Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos 2018: A tua direita, Senhor, resplandeceu de poder (Ex 15,6)

As Igrejas do Caribe foram escolhidas para preparar o material para a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos de 2018. O Caribe atual está profundamente marcado pelo projeto pouco respeitoso da exploração colonial. Muito lamentavelmente, durante quinhentos anos de colonialismo e escravidão, a atividade missionária cristã na região, com exceção de uns poucos destacados exemplos, esteve muito ligada a esse sistema de cunho desumano e justificava-o e reforçava-o de muitas maneiras. Enquanto aqueles que levaram a Bíblia para essa região usavam as Escrituras para justificar a subjugação do povo dominado, nas mãos dos escravizados ela tornou-se uma inspiração, uma garantia de que Deus estava do lado deles e de que Deus os conduziria à liberdade.

Hoje os cristãos caribenhos de diferentes tradições veem a mão de Deus a agir para pôr fim à escravidão. É uma experiência de união em torno da ação salvadora de Deus que leva à liberdade. Por essa razão, foi considerada muito adequada a escolha do canto de Moisés e Miriam (Ex 15, 1-21) como motivação para a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos de 2018.

Os textos, preparados e publicados conjuntamente pelo Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos e pela Comissão Fé e Constituição do Conselho Mundial de Igrejas, estão disponíveis em vários idiomas nas páginas web do Vaticano e do Conselho Mundial das Igrejas.

Versão em português do Brasil dos subsídios:
Em texto corrido
Em ficheiro pdf

Comissão Ecuménica Diocesana do Porto

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sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Lista mundial da perseguição 2018: Mais de 215 milhões de cristãos perseguidos no mundo


Todos os anos, a organização cristã internacional Portas Abertas (Open Doors) divulga a Lista Mundial da Perseguição. Uma lista que consiste num ranking dos 50 países onde a perseguição aos cristãos está presente e afeta a vida daqueles que professam a fé em Jesus Cristo. O ranking tornou-se referência quando o assunto é a Igreja Perseguida ao redor do mundo.

A Lista analisa a vida privada e pública dos cristãos em dezenas de países. Através de pesquisas e cruzamento de dados, ela provê uma fotografia precisa das dificuldades que os cristãos enfrentam. Estima-se que hoje, mais de 215 milhões de cristãos são perseguidos ao redor do mundo por causa da fé.

Os relatórios da equipa de pesquisa da Lista constataram que a opressão vivida pelos cristãos está a crescer de uma forma geral, apesar das formas de perseguição variarem conforme cada região.

Navegue pelo mapa e aceda aos Perfis dos Países. Saiba mais sobre a realidade dos cristãos perseguidos, a história de cada país, igreja, como acontece a perseguição aos cristãos.

Baixe a Lista Mundial da Perseguição 2018 em formato PDF ou em formato JPG.

Portas Abertas

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domingo, 31 de dezembro de 2017

Were Jesus, Mary and Joseph refugees? Yes | James Martin, SJ

With refugees and migrants in the news, some commentators have sought to draw parallels between their plight and that of the Holy Family—Jesus, Mary and Joseph. How accurate are these comparisons? Were Jesus, Mary and Joseph what we would consider today “refugees”?

Yes.

In the second chapter of the Gospel of Matthew, we read the story of the “Flight into Egypt” in which, after the birth of Jesus and the visit from the Magi, an “angel of the Lord” comes to Joseph in a dream and warns him to leave Bethlehem for Egypt (Mt 2:12-15). Why? Because King Herod was planning to “seek out the child to destroy him.” Mary and Joseph do leave, along with Jesus, and, according to Matthew, make their way into Egypt. Afterward, King Herod slaughters all the male children in Bethlehem under two years of age. This dramatic episode is part of the Gospel reading for the “Feast of the Holy Innocents,” celebrated on Dec. 28.

So, according to the Gospel of Matthew, what is going on? A family is forced to flee their homeland for fear of persecution. This is the classic modern-day definition of a refugee. In fact, the United Nations High Commissioner for Refugees defines that group of people as follows:

A refugee is someone who has been forced to flee his or her country because of persecution, war, or violence. A refugee has a well-founded fear of persecution for reasons of race, religion, nationality, political opinion or membership in a particular social group.

The Holy Family, as Matthew recounts the story, was fleeing because of a “well-founded fear of persecution” because of their “membership in a particular social group,” in this case people with young children living in Bethlehem. I am not sure how you could get any clearer than that.

Did Joseph and Mary apply for official refugee status? Of course not. Those kinds of regulations were most likely not in effect. There may not have even been any borders at the time. (Mais ...)

America. The Jesuit Review

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sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Acolher os migrantes e os refugiados: Caminho para construir a paz. Contributos para a Celebração do 51º Dia Mundial da Paz

No âmbito da celebração do 51º Dia Mundial da Paz, o Papa Francisco convida-nos a refletir sobre o tema "Migrantes e refugiados: homens e mulheres em busca de paz".

Pretendendo contribuir para a celebração deste dia dedicado à paz, um direito humano fundamental, que é dom de Deus e, ao mesmo tempo, projeto humano em realização, a Pax Christi Portugal produziu a brochura "Acolher os migrantes e os refugiados: Caminho para construir a paz. Contributos para a Celebração do 51º Dia Mundial da Paz".

Dela fazem parte uma seleção de textos para ajudar a aprofundar a mensagem do Papa Francisco, uma coletânea de orações, assim como sugestões para atividades para assinalar o dia e usar o tema durante todo o ano de 2018...

Pode descarregar a brochura em dois formatos para impressão: Livro dobrado ou A5 simples.

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terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Festa de Santo Estêvâo, primeiro mártir: Oremos pelos cristãos perseguidos e oprimidos do nosso tempo, por causa da sua fé

A 26 de dezembro celebramos a festa de Santo Estêvâo, o primeiro mártir da Igreja.
Cerca do ano 36 da nossa era, com uma morte aceite com as mesmas disposições com que Jesus aceitou a Sua, Estêvão dava o supremo testemunho do Seu amor por Ele.
Façamos deste dia um Dia de Oração pelos cristãos perseguidos e oprimidos do nosso tempo, por causa da sua fé.




ORAÇÃO

Deus de bondade,
ao longo da história da Igreja
os cristãos foram perseguidos por causa da sua fé em Jesus.
Hoje, esta perseguição ganha proporções dramáticas e difíceis de entender
num mundo onde tanto se fala de tolerância e respeito pelas diferenças.
Ser discípulo de Cristo comporta sempre a cruz e a incompreensão,
mas há alturas em que este peso é quase insuportável.
Muitas vezes, são realidades distantes de nós, cultural e fisicamente,
as notícias chegam-nos de forma filtrada
e não temos consciência das situações terríveis
por que passam tantos irmãos e irmãs na fé.
Dá-lhes, Senhor,
a graça da fortaleza e da esperança,
e a nós, a graça de um coração inquieto,
que não se deixe acomodar e procure fazer algo por eles, com urgência.


O que posso/podemos fazer?
  • Dar a conhecer, junto de amigos e conhecidos, através das redes sociais, os aspetos da perseguição aos cristãos que são silenciados pela comunicação social.
  • Organizar, nas próprias comunidades, eventos de oração e sensibilização pelos cristãos perseguidos.
  • Enviar ajuda material para instituições que trabalham com estas situações de perseguição.
(https://clicktopray.org/pt/pope_prayers)


Mais informação sobre os cristãos perseguidos e oprimidos do nosso tempo, por causa da sua fé:

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sábado, 23 de dezembro de 2017

ADVENTO 2017: 4ª SEMANA DO ADVENTO

1. Ambientação

Hoje, ser verdadeiro discípulo de Jesus significa aderir também à sua proposta de não-violência.

PAPA FRANCISCO, Mensagem para o Dia Mundial da Paz 2017, n. 3


2. Reflexão

Com o desejo de sermos autênticos discípulos de Jesus […] fazemos um apelo à Igreja que amamos para:
  • Continuar a desenvolver o ensinamento social católico sobre a não-violência. […]
  • Integrar a não-violência evangélica de maneira explícita na vida, incluindo a vida sacramental, e no trabalho da Igreja através das dioceses, paróquias, organismos, escolas, universidades, seminários, ordens religiosas, associações de voluntariado e outras.
  • Promover práticas e estratégias não-violentas (p. ex. resistência não-violenta, justiça restaurativa, cura de traumas, proteção civil não armada, transformação de conflitos e estratégias de construção de paz).
  • Iniciar um diálogo global sobre não-violência no seio da Igreja, com pessoas de outras tradições religiosas e com o mundo em geral, para responder às crises monumentais do nosso tempo com a visão e as estratégias da não-violência e da Paz Justa.
  • Nunca mais usar ou ensinar a “teoria da guerra justa”; continuar a defender a abolição da guerra e das armas nucleares.
  • Elevar a voz profética da Igreja para desafiar os poderes injustos deste mundo e para apoiar e defender os ativistas não-violentos cujo trabalho pela paz e pela justiça coloca as suas vidas em risco.
Declaração “Um apelo à Igreja Católica a comprometer-se de novo com a centralidade da não-violência evangélica”


3. Gesto de Paz

COMPROMETER-SE: Acende-se a QUARTA VELA da Coroa do Advento.

Ao acendermos a quarta e última vela da Coroa do Advento, comprometamo-nos a deixar que a caridade e a não-violência nos guiem no modo como nos tratamos uns aos outros.

PROPOSTA: Ler e reflectir sobre a declaração “Um apelo à Igreja Católica a comprometer-se de novo com a centralidade da não-violência evangélica” e, depois, assiná-la individualmente, como paróquia ou como organização. E não vamos esquecer a ação que nos propusemos fazer na semana passada


4. Oração

1. Senhor, Deus da Paz e da Não-violência, escuta a nossa súplica! Tu que nos criaste e chamas a viver como irmãos, dá-nos a capacidade de nos amarmos uns aos outros, amar os inimigos, reconciliar-nos com todos, resistir à injustiça, promover um mundo novo sem guerra, sem pobreza, sem armas nucleares, sem aquecimento global, sem violência.

Todos: Escuta, Senhor, a nossa súplica e guia-nos no caminho da não-violência!


5. Bênção

1. Que o Deus forte, que se manifestou como menino e se mostrou a nós como Aquele que nos ama e por meio de quem o amor há-de triunfar, nos faça compreender que, unidos a Ele, devemos ser artífices de paz e apóstolos da não-violência.

Todos: Ámen.


In: Percorramos o caminho da não-violência… Contributos para a celebração do Advento 2017. Esta brochura está disponível online aqui.

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sábado, 16 de dezembro de 2017

ADVENTO 2017: 3ª SEMANA DO ADVENTO

1. Ambientação

A violência não é o remédio para o nosso mundo dilacerado. Responder à violência com a violência leva, na melhor das hipóteses, a migrações forçadas e a atrozes sofrimentos […]. No pior dos casos, pode levar à morte física e espiritual de muitos, se não mesmo de todos.

PAPA FRANCISCO, Mensagem para o Dia Mundial da Paz 2017, n. 2


2. Reflexão

Cremos que não existe “guerra justa”. Com demasiada frequência, a “teoria da guerra justa” foi utilizada para respaldar e não para prevenir ou limitar a guerra. […]
Necessitamos de um novo quadro de referência que seja consistente com a não-violência evangélica. Um outro caminho vai-se desenvolvendo claramente no recente ensinamento social católico. O Papa João XXIII escreveu que a guerra não é um meio apropriado para restaurar direitos; o Papa Paulo VI associou paz e desenvolvimento e disse à ONU “nunca mais a guerra”; o Papa João Paulo II disse que “a guerra pertence ao passado trágico, à história”; o Papa Bento XVI disse que “amar o inimigo é o núcleo da revolução cristã”; e o Papa Francisco disse que “a verdadeira força do cristão é o vigor da verdade e do amor, que requer a renúncia a toda a violência. Fé e violência são incompatíveis”. Ele também pediu veementemente a “abolição da guerra”.
Propomos que a Igreja Católica desenvolva e considere a mudança para uma perspetiva de Paz Justa baseada na não-violência evangélica. A perspetiva da Paz Justa oferece uma visão e uma ética para construir a paz assim como para prevenir, reduzir e curar o dano causado pelo conflito violento. Esta ética inclui o compromisso com a dignidade humana e com umas relações florescentes, com critérios, virtudes e práticas específicas para guiar as nossas ações. Reconhecemos que a paz exige justiça e a justiça exige a construção da paz.

Declaração “Um apelo à Igreja Católica a comprometer-se de novo com a centralidade da não-violência evangélica”


3. Gesto de Paz

AGIR: Acende-se a TERCEIRA VELA da Coroa do Advento.

Ao acendermos a terceira vela da Coroa do Advento, digamos não à violência em todas as suas formas, no nosso agir diário.

PROPOSTA: Junte-se a dezenas de milhares de pessoas que procuram construir a paz no nosso país e em todo o mundo: participe em algumas das ações propostas e/ou proponha uma ação (um debate, uma conferência, um acto de solidariedade com vítimas de violência, etc.), a realizar na sua comunidade, na sua escola, na sua organização…


4. Oração

1. Senhor, Deus da Paz e da Não-violência, escuta a nossa súplica! Abre os nossos olhos e os nossos corações e dá-nos a coragem de dizer: “nunca mais a guerra”; “com a guerra, tudo fica destruído”! Infunde em nós a coragem de realizar gestos concretos para construir a paz.

Todos: Escuta, Senhor, a nossa súplica e guia-nos no caminho da não-violência!


5. Bênção

1. Que o Deus forte, que se manifestou como menino e se mostrou a nós como Aquele que nos ama e por meio de quem o amor há-de triunfar, nos faça compreender que, unidos a Ele, devemos ser artí-fices de paz e apóstolos da não-violência.

Todos: Ámen.


In: Percorramos o caminho da não-violência… Contributos para a celebração do Advento 2017. Esta brochura está disponível online aqui.

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sábado, 9 de dezembro de 2017

ADVENTO 2017: 2ª SEMANA DO ADVENTO

1. Ambientação

Quando impediu, aqueles que acusavam a adúltera, de a lapidar (cf. João 8,1 11) e na noite antes de morrer, quando disse a Pedro para repor a espada na bainha (cf. Mateus 26,52), Jesus traçou o caminho da não-violência que Ele percorreu até ao fim, até à cruz, tendo assim estabelecido a paz e destruído a hostilidade (cf. Efésios 2,14-16).

PAPA FRANCISCO, Mensagem para o Dia Mundial da Paz 2017, n. 3


2. Reflexão

No seu tempo, carregado de violência estrutural, Jesus proclamou uma nova ordem, não-violenta, enraizada no amor incondicional de Deus. Jesus chamou os seus discípulos a amarem os seus inimigos (Mateus 5,44), que inclui respeitar a imagem de Deus em todas as pessoas; a oferecerem resistência não-violenta a quem faz mal (Mateus 5,39); a converterem-se em construtores de paz; a perdoarem e a arrependerem-se; e a serem abundantemente misericordiosos (Mateus 5-7). Jesus encarnou a não-violência ao resistir ativamente à desumanização sistémica, como quando desafiou a lei do Sabat para curar o homem com a mão paralisada (Marcos 3,1-6); quando confrontou os poderosos no Templo e o purificou (João 2,13-22); quando pacífica mas decididamente desafiou os homens que acusavam uma mulher de adultério (João 8,1-11); quando na noite antes de morrer ordenou a Pedro não usar a espada (Mateus 26,52).
Nem passiva nem débil, a não-violência de Jesus foi o poder do amor em ação. Na sua visão e obras Ele é a revelação e a encarnação do Deus Não-violento, uma verdade especialmente iluminada na Cruz e na Ressurreição. Ele chama-nos a desenvolver a virtude da construção não-violenta da paz.

Declaração “Um apelo à Igreja Católica a comprometer-se de novo com a centralidade da não-violência evangélica”


3. Gesto de Paz

INFORMAR-SE: Acende-se a SEGUNDA VELA da Coroa do Advento.

Ao acendermos a segunda vela da Coroa do Advento, assumamos o caminho não-violento de Jesus como nosso caminho.

PROPOSTA: Pesquisar informações sobre o modo como as igrejas cristãs e os movimentos e organizações a elas ligados estão a trabalhar pela paz (em Portugal e no mundo). Quais são as mais ativas na construção da Paz? Que propostas e ações estão a realizar?


4. Oração

1. Senhor, Deus da Paz e da Não-violência, escuta a nossa súplica! Tu que amas cada pessoa de maneira infinita e incondicional, dá-nos a força para seguir Jesus no seu caminho não-violento; dá-nos a capacidade de nos tornarmos instrumentos da tua paz, comprometidos em fazer acabar as guerras e em promover a cultura da não-violência.

Todos: Escuta, Senhor, a nossa súplica e guia-nos no caminho da não-violência!


5. Bênção

1. Que o Deus forte, que se manifestou como menino e se mostrou a nós como Aquele que nos ama e por meio de quem o amor há-de triunfar, nos faça compreender que, unidos a Ele, devemos ser artífices de paz e apóstolos da não-violência.

Todos: Ámen.


In: Percorramos o caminho da não-violência… Contributos para a celebração do Advento 2017. Esta brochura está disponível online aqui.

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sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

STATEMENT: Pax Christi International calls upon UN Security Council members to strongly oppose the US government's decision to recognize Jerusalem as the capital of Israel

Pax Christi International is appalled by the decision of U.S. President Trump, on 6 December 2017 (1), to recognise Jerusalem as the capital of Israel as well as to start the process of moving the U.S. embassy there. We are very concerned about the devastating consequences it will have for reaching a just resolution to the long-standing Israeli-Palestinian conflict.

In line with the EU, the UN and governments around the world, we condemn this unilateral decision by the U.S. government which violates international law and is detrimental to any Israeli-Palestinian peace effort. We call upon UN Security Council members to strongly oppose this decision in the emergency meeting that is expected to take place on 8 December 2017 at the UN in New York.

We recall that in UN Resolution 181 (2), the international community, including the U.S., decided that Jerusalem should have special status, given its pluralistic and religious importance. With its latest decision, the U.S. government is departing from the foreign affairs policies of governments around the world which respect the ‘status quo’ of Jerusalem.

Pax Christi International also wants to highlight that with UN resolution 478 (3), which followed the enactment of "basic law" in the Israeli Knesset proclaiming a change in the character and status of the Holy City of Jerusalem (annexation of East-Jerusalem), all states are obliged to have their embassies in Tel Aviv.

Pax Christi International urges respect of the ‘status quo’ as any change should be the outcome of Israeli-Palestinian negotiations. A letter from the Patriarchs and Heads of Local Churches in Jerusalem to President Trump states, “We are certain that such steps will yield increased hatred, conflict, violence and suffering in Jerusalem and the Holy Land moving us farther from the goal of unity and deeper toward destructive division." (4)

We are convinced that the decision of the U.S. government is an international threat to peace and security in the Middle East region and the world. We welcome the request of eight UN Security Council Member States (5) to schedule an emergency meeting to discuss the decision. We ask the UN Security Council members to take the following action:
  • To strongly condemn the decision of the U.S. government as a violation of international law and UN resolutions and to demand the continued recognition of the present international status of Jerusalem.
  • To reaffirm the position taken by UN Security Council Resolution 2334 (6), in 2016, that it will not recognize any changes to the 4 June 1967 boundaries, including in regard to Jerusalem, other than those agreed by the parties through negotiations.
  • To confirm its determination to support the Israelis and Palestinians to reach a just and sustainable solution, guaranteeing the fundamental rights of both Israelis and Palestinians.
  • To consider, as a possible solution, the reunification of the city of Jerusalem by recognising two legal, political parts, each with its own political capital, working to ensure equal rights for all.
  • To protect and preserve the unique religious interests of the city: the three great monotheistic faiths of Christianity, Judaism and Islam.
Pax Christi International welcomes the recent statement of Pope Francis during his General Audience in Paul VI Hall on 6 December 2017 in which he called for the maintenance of the “status quo” of Jerusalem:

“Jerusalem is a unique city, sacred to Jews, Christians, and Muslims, where the Holy Places for the respective religions are venerated, and it has a special vocation to peace. I pray to the Lord that such identity be preserved and strengthened for the benefit of the Holy Land, the Middle East and the entire world, and that wisdom and prudence prevail, to avoid adding new elements of tension in a world already shaken and scarred by many cruel conflicts.” (7)

Brussels, 7 December 2017

____________

1. His statement can be found on the website of the Whitehouse: https://www.whitehouse.gov/the-press-office/2017/12/06/statement-president-trump-jerusalem

2. UN Security Council Resolution 181, 29 November 1947, A/RES/181(II), online available at: https://unispal.un.org/DPA/DPR/unispal.nsf/0/7F0AF2BD897689B785256C330061D253

3. UN Security Council Resolution 478, 20 August 1980, S/RES/478 (1980), online available at: https://unispal.un.org/DPA/DPR/unispal.nsf/0/DDE590C6FF232007852560DF0065FDDB

4. Patriarchs and Heads of Local Churches in Jerusalem, letter of 6 December to USA President Donald Trump, online available at: https://www.lpj.org/heads-local-churches-send-letter-to-president-donald-trump-regarding-status-of-jerusalem/

5. Bolivia, Britain, Egypt, France, Italy, Senegal, Sweden and Uruguay

6. UN Security Council Resolution 2334, 23 December 2016, S/RES/2334 (2016), online available at: http://www.un.org/webcast/pdfs/SRES2334-2016.pdf

7. Zenit, ‘Jerusalem: Pope Urges Status Quo’, 6 December 2017, online available at: https://zenit.org/articles/jerusalem-pope-urges-status-quo

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sábado, 2 de dezembro de 2017

ADVENTO 2017: 1ª SEMANA DO ADVENTO

1. Ambientação

Por vezes, entende-se a não-violência como rendição, negligência e passividade, mas, na realidade, não é isso. […] A não-violência, praticada com decisão e coerência, produziu resultados impressionantes.

PAPA FRANCISCO, Mensagem para o Dia Mundial da Paz 2017, n. 4


2. Reflexão

Vivemos numa época de extenso sofrimento, trauma generalizado e medo relacionados com a militarização, a injustiça económica, as alterações climáticas e milhares de outras formas específicas de violência. Neste contexto de violência normalizada e sistémica, aqueles de entre nós que vivem na tradição cristã, estamos chamados a reconhecer a centralidade da não-violência ativa na visão e na mensagem de Jesus; na vida e na praxis da Igreja Católica; e na nossa vocação de longo prazo de curar e reconciliar tanto as pessoas como o planeta.
Alegramo-nos com as ricas experiências concretas de pessoas comprometidas no trabalho pela paz em todo o mundo […]. Essas experiências iluminam a criatividade e o poder das práticas não-violentas em muitas e diversas situações de conflito violento potencial ou real. De facto, investigações académicas recentes demonstraram que as estratégias de resistência não-violenta são duas vezes mais eficazes que as estratégias violentas.
Chegou o momento de a nossa Igreja ser um testemunho vivo e de investir muitos mais recursos humanos e financeiros na promoção de uma espiritualidade e prática da não-violência ativa, e na formação e capacitação das nossas comunidades católicas em práticas não-violentas eficazes. Em tudo isto, Jesus é a nossa inspiração e o nosso modelo.

Declaração “Um apelo à Igreja Católica a comprometer-se de novo com a centralidade da não-violência evangélica”


3. Gesto de Paz

ORAR: Acende-se a PRIMEIRA VELA da Coroa do Advento.

Ao acendermos a primeira vela da Coroa do Advento, rezemos pela paz no mundo.

PROPOSTA: Passar a vela acesa entre as pessoas presentes. A pessoa que segura a vela reza em voz alta por uma área do nosso mundo que hoje precisa de paz. No fim todos respondem com a petição: «Senhor Deus de Paz, escuta a nossa súplica!»


4. Oração

1. Senhor, Deus da Paz e da Não-violência, escuta a nossa súplica! Pedimos-te perdão pelas vezes em que não soubemos reconhecer a tua bênção de amor e de paz e escolhemos a violência em lugar da não-violência. Abre os nossos olhos e os nossos corações e dá-nos a imaginação para superar todas as formas de violência com a não-violência criativa.

Todos: Escuta, Senhor, a nossa súplica e guia-nos no caminho da não-violência!


5. Bênção

1. Que o Deus forte, que se manifestou como menino e se mostrou a nós como Aquele que nos ama e por meio de quem o amor há-de triunfar, nos faça compreender que, unidos a Ele, devemos ser artífices de paz e apóstolos da não-violência.

Todos: Ámen.


In: Percorramos o caminho da não-violência… Contributos para a celebração do Advento 2017. Esta brochura está disponível online aqui.

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sexta-feira, 24 de novembro de 2017

51º DIA MUNDIAL DA PAZ: Migrantes e refugiados: homens e mulheres em busca de paz

MENSAGEM DO SANTO PADRE 
FRANCISCO
PARA A CELEBRAÇÃO DO
51º DIA MUNDIAL DA PAZ

1° DE JANEIRO DE 2018

Migrantes e refugiados: homens e mulheres em busca de paz

1. Votos de paz

Paz a todas as pessoas e a todas as nações da terra! A paz, que os anjos anunciam aos pastores na noite de Natal,[1] é uma aspiração profunda de todas as pessoas e de todos os povos, sobretudo de quantos padecem mais duramente pela sua falta. Dentre estes, que trago presente nos meus pensamentos e na minha oração, quero recordar de novo os mais de 250 milhões de migrantes no mundo, dos quais 22 milhões e meio são refugiados. Estes últimos, como afirmou o meu amado predecessor Bento XVI, «são homens e mulheres, crianças, jovens e idosos que procuram um lugar onde viver em paz».[2] E, para o encontrar, muitos deles estão prontos a arriscar a vida numa viagem que se revela, em grande parte dos casos, longa e perigosa, a sujeitar-se a fadigas e sofrimentos, a enfrentar arames farpados e muros erguidos para os manter longe da meta.

Com espírito de misericórdia, abraçamos todos aqueles que fogem da guerra e da fome ou se veem constrangidos a deixar a própria terra por causa de discriminações, perseguições, pobreza e degradação ambiental.

Estamos cientes de que não basta abrir os nossos corações ao sofrimento dos outros. Há muito que fazer antes de os nossos irmãos e irmãs poderem voltar a viver em paz numa casa segura. Acolher o outro requer um compromisso concreto, uma corrente de apoios e beneficência, uma atenção vigilante e abrangente, a gestão responsável de novas situações complexas que às vezes se vêm juntar a outros problemas já existentes em grande número, bem como recursos que são sempre limitados. Praticando a virtude da prudência, os governantes saberão acolher, promover, proteger e integrar, estabelecendo medidas práticas, «nos limites consentidos pelo bem da própria comunidade retamente entendido, [para] lhes favorecer a integração»[3]. Os governantes têm uma responsabilidade precisa para com as próprias comunidades, devendo assegurar os seus justos direitos e desenvolvimento harmónico, para não serem como o construtor insensato que fez mal os cálculos e não conseguiu completar a torre que começara a construir.[4]

2. Porque há tantos refugiados e migrantes?

Na mensagem para idêntica ocorrência no Grande Jubileu pelos 2000 anos do anúncio de paz dos anjos em Belém, São João Paulo II incluiu o número crescente de refugiados entre os efeitos de «uma sequência infinda e horrenda de guerras, conflitos, genocídios, “limpezas étnicas”»[5] que caraterizaram o século XX. E até agora, infelizmente, o novo século não registou uma verdadeira viragem: os conflitos armados e as outras formas de violência organizada continuam a provocar deslocações de populações no interior das fronteiras nacionais e para além delas.

Todavia as pessoas migram também por outras razões, sendo a primeira delas «o desejo de uma vida melhor, unido muitas vezes ao intento de deixar para trás o “desespero” de um futuro impossível de construir».[6] As pessoas partem para se juntar à própria família, para encontrar oportunidades de trabalho ou de instrução: quem não pode gozar destes direitos, não vive em paz. Além disso, como sublinhei na Encíclica Laudato si’, «é trágico o aumento de migrantes em fuga da miséria agravada pela degradação ambiental».[7]

A maioria migra seguindo um percurso legal, mas há quem tome outros caminhos, sobretudo por causa do desespero, quando a pátria não lhes oferece segurança nem oportunidades, e todas as vias legais parecem impraticáveis, bloqueadas ou demasiado lentas.

Em muitos países de destino, generalizou-se largamente uma retórica que enfatiza os riscos para a segurança nacional ou o peso do acolhimento dos recém-chegados, desprezando assim a dignidade humana que se deve reconhecer a todos, enquanto filhos e filhas de Deus. Quem fomenta o medo contra os migrantes, talvez com fins políticos, em vez de construir a paz, semeia violência, discriminação racial e xenofobia, que são fonte de grande preocupação para quantos têm a peito a tutela de todos os seres humanos.[8]

Todos os elementos à disposição da comunidade internacional indicam que as migrações globais continuarão a marcar o nosso futuro. Alguns consideram-nas uma ameaça. Eu, pelo contrário, convido-vos a vê-las com um olhar repleto de confiança, como oportunidade para construir um futuro de paz.

3. Com olhar contemplativo

A sabedoria da fé nutre este olhar, capaz de intuir que todos pertencemos «a uma só família, migrantes e populações locais que os recebem, e todos têm o mesmo direito de usufruir dos bens da terra, cujo destino é universal, como ensina a doutrina social da Igreja. Aqui encontram fundamento a solidariedade e a partilha».[9] Estas palavras propõem-nos a imagem da nova Jerusalém. O livro do profeta Isaías (cap. 60) e, em seguida, o Apocalipse (cap. 21) descrevem-na como uma cidade com as portas sempre abertas, para deixar entrar gente de todas as nações, que a admira e enche de riquezas. A paz é o soberano que a guia, e a justiça o princípio que governa a convivência dentro dela.

Precisamos de lançar, também sobre a cidade onde vivemos, este olhar contemplativo, «isto é, um olhar de fé que descubra Deus que habita nas suas casas, nas suas ruas, nas suas praças (...), promovendo a solidariedade, a fraternidade, o desejo de bem, de verdade, de justiça»,[10] por outras palavras, realizando a promessa da paz.

Detendo-se sobre os migrantes e os refugiados, este olhar saberá descobrir que eles não chegam de mãos vazias: trazem uma bagagem feita de coragem, capacidades, energias e aspirações, para além dos tesouros das suas culturas nativas, e deste modo enriquecem a vida das nações que os acolhem. Saberá vislumbrar também a criatividade, a tenacidade e o espírito de sacrifício de inúmeras pessoas, famílias e comunidades que, em todas as partes do mundo, abrem a porta e o coração a migrantes e refugiados, inclusive onde não abundam os recursos.

Este olhar contemplativo saberá, enfim, guiar o discernimento dos responsáveis governamentais, de modo a impelir as políticas de acolhimento até ao máximo dos «limites consentidos pelo bem da própria comunidade retamente entendido»,[11] isto é, tomando em consideração as exigências de todos os membros da única família humana e o bem de cada um deles.

Quem estiver animado por este olhar será capaz de reconhecer os rebentos de paz que já estão a despontar e cuidará do seu crescimento. Transformará assim em canteiros de paz as nossas cidades, frequentemente divididas e polarizadas por conflitos que se referem precisamente à presença de migrantes e refugiados.

4. Quatro pedras miliárias para a ação

Oferecer a requerentes de asilo, refugiados, migrantes e vítimas de tráfico humano uma possibilidade de encontrar aquela paz que andam à procura, exige uma estratégia que combine quatro ações: acolher, proteger, promover e integrar.[12]

«Acolher» faz apelo à exigência de ampliar as possibilidades de entrada legal, de não repelir refugiados e migrantes para lugares onde os aguardam perseguições e violências, e de equilibrar a preocupação pela segurança nacional com a tutela dos direitos humanos fundamentais. Recorda-nos a Sagrada Escritura: «Não vos esqueçais da hospitalidade, pois, graças a ela, alguns, sem o saberem, hospedaram anjos».[13]

«Proteger» lembra o dever de reconhecer e tutelar a dignidade inviolável daqueles que fogem dum perigo real em busca de asilo e segurança, de impedir a sua exploração. Penso de modo particular nas mulheres e nas crianças que se encontram em situações onde estão mais expostas aos riscos e aos abusos que chegam até ao ponto de as tornar escravas. Deus não discrimina: «O Senhor protege os que vivem em terra estranha e ampara o órfão e a viúva».[14]

«Promover» alude ao apoio para o desenvolvimento humano integral de migrantes e refugiados. Dentre os numerosos instrumentos que podem ajudar nesta tarefa, desejo sublinhar a importância de assegurar às crianças e aos jovens o acesso a todos os níveis de instrução: deste modo poderão não só cultivar e fazer frutificar as suas capacidades, mas estarão em melhores condições também para ir ao encontro dos outros, cultivando um espírito de diálogo e não de fechamento ou de conflito. A Bíblia ensina que Deus «ama o estrangeiro e dá-lhe pão e vestuário»; daí a exortação: «Amarás o estrangeiro, porque foste estrangeiro na terra do Egito».[15]

Por fim, «integrar» significa permitir que refugiados e migrantes participem plenamente na vida da sociedade que os acolhe, numa dinâmica de mútuo enriquecimento e fecunda colaboração na promoção do desenvolvimento humano integral das comunidades locais. «Portanto – como escreve São Paulo – já não sois estrangeiros nem imigrantes, mas sois concidadãos dos santos e membros da casa de Deus».[16]

5. Uma proposta para dois Pactos internacionais

Almejo do fundo do coração que seja este espírito a animar o processo que, no decurso de 2018, levará à definição e aprovação por parte das Nações Unidas de dois pactos globais: um para migrações seguras, ordenadas e regulares, outro referido aos refugiados. Enquanto acordos partilhados a nível global, estes pactos representarão um quadro de referência para propostas políticas e medidas práticas. Por isso, é importante que sejam inspirados por sentimentos de compaixão, clarividência e coragem, de modo a aproveitar todas as ocasiões para fazer avançar a construção da paz: só assim o necessário realismo da política internacional não se tornará uma capitulação ao cinismo e à globalização da indiferença.

De facto, o diálogo e a coordenação constituem uma necessidade e um dever próprio da comunidade internacional. Mais além das fronteiras nacionais, é possível também que países menos ricos possam acolher um número maior de refugiados ou acolhê-los melhor, se a cooperação internacional lhes disponibilizar os fundos necessários.

A Secção Migrantes e Refugiados do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral sugeriu 20 pontos de ação[17] como pistas concretas para a implementação dos supramencionados quatro verbos nas políticas públicas e também na conduta e ação das comunidades cristãs. Estas e outras contribuições pretendem expressar o interesse da Igreja Católica pelo processo que levará à adoção dos referidos pactos globais das Nações Unidas. Um tal interesse confirma uma vez mais a solicitude pastoral que nasceu com a Igreja e tem continuado em muitas das suas obras até aos nossos dias.

6. Em prol da nossa casa comum

Inspiram-nos as palavras de São João Paulo II: «Se o “sonho” de um mundo em paz é partilhado por tantas pessoas, se se valoriza o contributo dos migrantes e dos refugiados, a humanidade pode tornar-se sempre mais família de todos e a nossa terra uma real “casa comum”».[18] Ao longo da história, muitos acreditaram neste «sonho» e as suas realizações testemunham que não se trata duma utopia irrealizável.

Entre eles conta-se Santa Francisca Xavier Cabrini, cujo centenário do nascimento para o Céu ocorre em 2017. Hoje, dia 13 de novembro, muitas comunidades eclesiais celebram a sua memória. Esta pequena grande mulher, que consagrou a sua vida ao serviço dos migrantes tornando-se depois a sua Padroeira celeste, ensinou-nos como podemos acolher, proteger, promover e integrar estes nossos irmãos e irmãs. Pela sua intercessão, que o Senhor nos conceda a todos fazer a experiência de que «o fruto da justiça é semeado em paz por aqueles que praticam a paz».[19]

Vaticano, 13 de novembro – Memória de Santa Francisca Xavier Cabrini, Padroeira dos migrantes – de 2017.

Franciscus


[1] Cf. Evangelho de Lucas 2, 14.
[2] Alocução do Angelus (15/I/2012)
[3] João XXIII, Carta enc. Pacem in terris, 106.
[4] Cf. Evangelho de Lucas 14, 28-30.
[5] Mensagem para o Dia Mundial da Paz de 2000, 3.
[6] Bento XVI, Mensagem para o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado de 2013.
[7] N.º 25.
[8] Cf. Francisco, Discurso aos Diretores nacionais da Pastoral dos Migrantes, participantes no Encontro promovido pelo Conselho das Conferências Episcopais da Europa (22/IX/2017).
[9] Bento XVI, Mensagem para o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado de 2011.
[10] Francisco, Exort. ap. Evangelii gaudium, 71
[11] João XXIII, Carta enc. Pacem in terris, 106
[12] Francisco, Mensagem para o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado de 2018, (15/VIII/2017).
[13] Carta aos Hebreus 13, 2.
[14] Salmo 146, 9.
[15] Livro do Deuteronómio 10, 18-19.
[16] Carta aos Efésios 2, 19.
[17] «20 Pontos de Ação Pastoral» e «20 Pontos de Ação para os Pactos Globais» (2017). Cf. também Documento ONU A/72/528.
[18] Mensagem para o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado de 2004, 6.
[19] Carta de Tiago 3, 18.

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quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Declaração final do sexto colóquio budista-cristão: Um decálogo para a não-violência

Um decálogo, para permitir que os seguidores de Buda e de Jesus Cristo percorram juntos a via da não-violência, foi assinado na conclusão do sexto colóquio budista-cristão, organizado em Taiwan pelo Pontifício conselho para o diálogo inter-religioso. O dicastério vaticano foi representado pelo cardeal presidente Jean-Louis Tauran, pelo bispo secretário Miguel Ángel Ayuso Guixot e pelo subsecretário monsenhor Indunil Kodithuwakku.

Mais de oitenta entre homens e mulheres de ambas as religiões, em representação de dezoito países, participaram nos três dias de trabalhos - de 13 a 15 de novembro no mosteiro budista de Ling Jiou - e na cerimónia de encerramento no Museu das religiões do mundo em Taipei, tornando pública uma declaração final. O documento frisou o precioso contributo oferecido para o melhoramento da compreensão e do conhecimento recíproco, e para o fortalecimento das relações e da cooperação orientadas a promover uma cultura da paz e da não-violência com base em valores partilhados. (...)

Encorajados pelo êxito positivo do colóquio, elaboraram uma espécie de plano de ação em dez pontos:
  1. Promover uma cultura da paz e da não-violência contra a cultura dominante da indiferença; 
  2. Frisar a importância de ouvir o grito das vítimas da violência nas suas múltiplas formas, até condenando as ameaças do nacionalismo desenfreado, do sexismo, do racismo e do fundamentalismo étnico, religioso e de casta; 
  3. Eliminar a pobreza, a injustiça, a desigualdade, a exploração e a discriminação; 
  4. Reconhecer o papel positivo dos meios de comunicação e combater o impacto negativo das notícias falsas (fake news); 
  5. Estimular ações concretas orientadas a recuperar as sociedades polarizadas, através da reconciliação e do perdão, e promover a igualdade e a dignidade das mulheres a fim de prevenir a violência e a discriminação em relação a elas, em particular o flagelo da violência doméstica; 
  6. Desenvolver relações seguras, estáveis e afetuosas a nível familiar e reafirmar a importância da educação; 
  7. Promover a hospitalidade reconhecendo que «nós e os outros partilhamos» uma humanidade comum apesar das diferenças; 
  8. Salvaguardar o meio ambiente evidenciando a interconexão e a interdependência de todas as formas de vida; 
  9. Promover a oração, o silêncio e a meditação para cultivar a liberdade interior, a pureza do coração, a compaixão, a cura e o dom de si como condições essenciais para a paz interior do indivíduo e a social; 
  10. Reconhecer o importante papel que organizações religiosas, pessoas de boa vontade, sociedade civil, organizações governamentais e centros de educação podem desempenhar ao favorecer o diálogo interconfessional e intercultural.
L'Osservatore Romano. Edição semanal em português. 23.11.2017

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terça-feira, 21 de novembro de 2017

Highlights from the Pax Christi delegation to the Vatican conference on nuclear disarmament

On 10-11 November 2017, Pax Christi International sent a delegation to attend a high-level international conference on disarmament in Rome sponsored by the Vatican.

This conference, “Prospects for a World Free from Nuclear Weapons and for Integral Disarmament” was a unique opportunity for civil society, church leaders, Vatican representatives, policy makers and others to discuss the next steps toward freeing the world of nuclear weapons as part of integral human development. Below are highlights from the delegation's participation in the conference.

Media coverage

Pax Christi Internacional

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Papa Francisco: Cuidar dos pobres é um dever evangélico

Mesmo se «aos olhos do mundo têm pouco valor», os pobres «abrem-nos a via do céu, são o nosso “passaporte para o paraíso”», recordou o Papa Francisco durante a missa presidida na manhã de domingo, 19 de novembro, na basílica vaticana, na presença de quase sete mil necessitados, pessoas menos abastadas e desabrigados, além de numerosos voluntários.

Instituído pelo Pontífice em 2016 com a carta apostólica Misericordia et misera na conclusão do jubileu da misericórdia, o primeiro dia mundial dos pobres viveu em São Pedro o seu solene momento celebrativo. E prosseguiu no sinal da solidariedade na Sala Paulo VI, onde o Papa partilhou o almoço com cerca de mil e quinhentos indigentes de diversos países.

Na homilia da missa, inspirando-se na parábola dos talentos, Francisco frisou que «a omissão é o grande pecado em relação aos pobres». E torna-se verdadeira «indiferença» quando nos viramos «para o outro lado no momento em que o irmão está em necessidade» ou ignoramos «o mal sem nada fazer», esquecendo-nos de que «nos pobres se manifesta a presença de Jesus», o qual «de rico se fez pobre». Por isso, afirmou o Pontífice, «na sua fragilidade, têm uma “força salvífica”». E «para nós é dever evangélico cuidar deles, que são a nossa verdadeira riqueza, e fazê-lo não só dando pão mas também partindo com eles o pão da Palavra, do qual eles são os mais naturais destinatários».

«Amar o pobre significa lutar contra todas as pobrezas espirituais e materiais», afirmou Francisco. Eis então os votos – formulados durante o Angelus recitado na praça de São Pedro depois da missa – para que «os pobres estejam no centro das nossas comunidades não só em momentos como este mas sempre; porque eles estão no coração do Evangelho, neles encontramos Jesus que nos fala e nos interpela através dos seus sofrimentos e necessidades». Deve ser interpretado neste sentido o sucessivo apelo lançado pelo Pontífice a favor das «populações que vivem uma pobreza dolorosa por causa da guerra e dos conflitos». À comunidade internacional o Papa pediu «que faça todos os esforços possíveis para favorecer a paz, em particular no Médio Oriente». E dirigiu «um pensamento especial ao querido povo libanês», invocando «a estabilidade do país, a fim de que possa continuar a ser uma “mensagem” de respeito e convivência para toda a região e para o mundo inteiro».

L'Osservatore Romano

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segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Papa Francisco: Não à lógica da intimidação

A corrida aos armamentos nucleares é funcional a «uma lógica de medo» que hoje ameaça não só os estados em conflito mas «o inteiro género humano». Foi a admoestação feita pelo Papa Francisco no discurso pronunciado na manhã de sexta-feira, 10 de novembro, na sala Clementina, durante a audiência aos participantes no congresso internacional promovido pelo Dicastério para o serviço do desenvolvimento humano integral.

No encontro convocado no Vaticano até dia 11, para discutir acerca das «perspetivas de um mundo livre das armas nucleares e de um desarmamento integral», participam também onze prémios Nobel que entregaram ao Pontífice o texto de um apelo para invocar «uma paz mundial sustentável e impedir que as armas nucleares se difundam e sejam usadas». Particularmente significativo foi o testemunho de Masako Wada, uma dos últimos “hibakusha”, como chamam no Japão aos sobreviventes dos bombardeamentos de Hiroshima e Nagasaki.

No seu discurso o Pontífice falou do clima de conflitualidade instável que está a levar o mundo a uma corrida incessante aos armamentos, e denunciou a apreensão que se sente considerando «as consequências catastróficas humanitárias e ambientais que derivam de qualquer uso das armas nucleares». Isto obriga a uma firme condenação da «ameaça do seu uso», assim como «da sua posse», até porque não se pode subestimar «o risco de uma explosão acidental por um erro de qualquer tipo». O Papa condena principalmente a lógica da força militar, das intimidações recíprocas e da ostentação dos arsenais bélicos, que parecem dominar as relações internacionais. Com efeito – admoestou – «as armas de destruição de massa, em particular as atómicas, causam um enganador sentido de insegurança e não podem constituir a base da convivência pacífica entre os membros da família humana».

Face aos «cenários angustiantes» da geopolítica contemporânea, Francisco evoca também os desafios do terrorismo e dos “conflitos assimétricos”, favorecidos por tecnologias que se difundem através de comunicações telemáticas, e a falta de instrumentos jurídicos internacionais que «não impediram que novos estados se juntassem ao círculo dos possuidores de armas atómicas». Contudo, não bastante isto, o Pontífice pretende acender «no nosso mundo desordenado as luzes da esperança», animado por um realismo sadio baseado, por exemplo, na histórica votação na sede da Onu, com a qual «a maior parte dos membros da comunidade internacional estabeleceu que as armas nucleares não são apenas imorais, mas devem ser consideradas inclusive um instrumento de guerra ilegítimo». Aliás, graças a este tratado, foi «colmado um vazio jurídico importante, dado que as armas químicas, as biológicas, as minas anti-homem e as bombas-cacho constituem armamentos expressamente proibidos através de convenções internacionais». E a este propósito Francisco considera «ainda mais significativo o facto de que estes resultados se devem principalmente a uma “iniciativa humanitária” promovida por uma válida aliança entre sociedade civil, estados, organizações internacionais, Igrejas, academias e peritos».

Por fim o Papa recordou a encíclica Populorum progressio de Paulo VI, frisando que só um «progresso efetivo e inclusivo pode tornar realizável a utopia de um mundo livre de armas ofensivas mortais, não obstante a crítica» de quantos «consideram idealistas os processos de desmantelamento dos arsenais».

Discurso do Papa

L'Osservatore Romano

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Papa Francisco: Não à indiferença sobre a crise ambiental

Renovado apelo de Francisco à colaboração e ao compromisso para contrastar os efeitos da crise ambiental. O convite está contido na mensagem papal enviada ao primeiro-ministro das Ilhas Fiji, que preside à 23ª sessão da Conferência dos Estados-Parte da Convenção-Quadro da Onu sobre as mudanças climáticas (Cop 23), em curso em Bonn, Alemanha, até 17 de novembro.

«Há pouco menos de dois anos - recorda - a comunidade internacional, após um longo e complexo debate, chegou à adoção do histórico Acordo de Paris», graças ao qual foi alcançado «um consenso sobre a necessidade de empreender uma estratégia compartilhada para contrastar» este preocupante fenómeno. De resto, «a vontade de dar continuidade a este consenso foi realçada pela velocidade» com que o Acordo «entrou em vigor, depois de menos de um ano da sua adoção». Ele «indica um claro percurso de transição para um modelo de desenvolvimento económico com baixo ou nenhum consumo de carbono, encorajando à solidariedade e contando com os fortes vínculos existentes entre a luta contra a mudança climática e a pobreza». Uma transição que é «solicitada pela urgência climática a qual exige maior esforço da parte dos países, alguns dos quais deveriam procurar desempenhar o papel de guia nesta transição, preocupando-se com as necessidades das populações mais vulneráveis».

A tal propósito, o Pontífice indica quatro atitudes que devem ser evitadas diante da crise ambiental: «negação, indiferença, resignação e confiança em soluções inadequadas». Além disso, também não «nos podemos limitar à dimensão económica e tecnológica»: com efeito, «as soluções técnicas são necessárias mas insuficientes»; e «é essencial e imperativo ter em consideração os aspetos e os impactos éticos e sociais do novo paradigma de desenvolvimento». Por isso, o Papa recomenda que se «preste atenção à educação e a estilos de vida orientados para uma ecologia integral».

Mensagem do Papa

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sábado, 18 de novembro de 2017

1º Dia Mundial dos Pobres

MENSAGEM DO SANTO PADRE FRANCISCO
PARA O I DIA MUNDIAL DOS POBRES

XXXIII DOMINGO DO TEMPO COMUM
(19 DE NOVEMBRO DE 2017)


«Não amemos com palavras, mas com obras»

1. «Meus filhinhos, não amemos com palavras nem com a boca, mas com obras e com verdade» (1 Jo 3, 18). Estas palavras do apóstolo João exprimem um imperativo de que nenhum cristão pode prescindir. A importância do mandamento de Jesus, transmitido pelo «discípulo amado» até aos nossos dias, aparece ainda mais acentuada ao contrapor as palavras vazias, que frequentemente se encontram na nossa boca, às obras concretas, as únicas capazes de medir verdadeiramente o que valemos. O amor não admite álibis: quem pretende amar como Jesus amou, deve assumir o seu exemplo, sobretudo quando somos chamados a amar os pobres. Aliás, é bem conhecida a forma de amar do Filho de Deus, e João recorda-a com clareza. Assenta sobre duas colunas mestras: o primeiro a amar foi Deus (cf. 1 Jo 4, 10.19); e amou dando-Se totalmente, incluindo a própria vida (cf. 1 Jo 3, 16).Um amor assim não pode ficar sem resposta. Apesar de ser dado de maneira unilateral, isto é, sem pedir nada em troca, ele abrasa de tal forma o coração, que toda e qualquer pessoa se sente levada a retribuí-lo não obstante as suas limitações e pecados. Isto é possível, se a graça de Deus, a sua caridade misericordiosa, for acolhida no nosso coração a pontos de mover a nossa vontade e os nossos afetos para o amor ao próprio Deus e ao próximo. Deste modo a misericórdia, que brota por assim dizer do coração da Trindade, pode chegar a pôr em movimento a nossa vida e gerar compaixão e obras de misericórdia em prol dos irmãos e irmãs que se encontram em necessidade.

2. «Quando um pobre invoca o Senhor, Ele atende-o» (Sl 34/33,7). A Igreja compreendeu, desde sempre, a importância de tal invocação. Possuímos um grande testemunho já nas primeiras páginas do Atos dos Apóstolos, quando Pedro pede para se escolher sete homens «cheios do Espírito e de sabedoria» (6,3), que assumam o serviço de assistência aos pobres. Este é, sem dúvida, um dos primeiros sinais com que a comunidade cristã se apresentou no palco do mundo: o serviço aos mais pobres. Tudo isto foi possível, por ela ter compreendido que a vida dos discípulos de Jesus se devia exprimir numa fraternidade e numa solidariedade tais, que correspondesse ao ensinamento principal do Mestre que tinha proclamado os pobres bem-aventurados e herdeiros do Reino dos céus (cf. Mt 5,3).

«Vendiam terras e outros bens e distribuíam o dinheiro por todos, de acordo com as necessidades de cada um» (At 2,45). Esta frase mostra, com clareza, como estava viva nos primeiros cristãos tal preocupação. O evangelista Lucas – o autor sagrado que deu mais espaço à misericórdia do que qualquer outro – não está a fazer retórica, quando descreve a prática da partilha na primeira comunidade. Antes pelo contrário, com a sua narração, pretende falar aos fiéis de todas as gerações (e, por conseguinte, também à nossa), procurando sustentá-los no seu testemunho e incentivá-los à ação concreta a favor dos mais necessitados. E o mesmo ensinamento é dado, com igual convicção, pelo apóstolo Tiago, usando expressões fortes e incisivas na sua Carta: «Ouvi, meus amados irmãos: porventura não escolheu Deus os pobres segundo o mundo para serem ricos na fé e herdeiros do Reino que prometeu aos que O amam? Mas vós desonrais o pobre. Porventura não são os ricos que vos oprimem e vos arrastam aos tribunais? (…) De que aproveita, irmãos, que alguém diga que tem fé, se não tiver obras de fé? Acaso essa fé poderá salvá-lo? Se um irmão ou uma irmã estiverem nus e precisarem de alimento quotidiano, e um de vós lhes disser: “Ide em paz, tratai de vos aquecer e matar a fome”, mas não lhes dais o que é necessário ao corpo, de que lhes aproveitará? Assim também a fé: se ela não tiver obras, está completamente morta» (2, 5-6.14-17).

3. Contudo, houve momentos em que os cristãos não escutaram profundamente este apelo, deixando-se contagiar pela mentalidade mundana. Mas o Espírito Santo não deixou de os chamar a manterem o olhar fixo no essencial. Com efeito, fez surgir homens e mulheres que, de vários modos, ofereceram a sua vida ao serviço dos pobres. Nestes dois mil anos, quantas páginas de história foram escritas por cristãos que, com toda a simplicidade e humildade, serviram os seus irmãos mais pobres, animados por uma generosa fantasia da caridade!

Dentre todos, destaca-se o exemplo de Francisco de Assis, que foi seguido por tantos outros homens e mulheres santos, ao longo dos séculos. Não se contentou com abraçar e dar esmola aos leprosos, mas decidiu ir a Gúbio para estar junto com eles. Ele mesmo identificou neste encontro a viragem da sua conversão: «Quando estava nos meus pecados, parecia-me deveras insuportável ver os leprosos. E o próprio Senhor levou-me para o meio deles e usei de misericórdia para com eles. E, ao afastar-me deles, aquilo que antes me parecia amargo converteu-se para mim em doçura da alma e do corpo» (Test 1-3: FF 110). Este testemunho mostra a força transformadora da caridade e o estilo de vida dos cristãos.

Não pensemos nos pobres apenas como destinatários duma boa obra de voluntariado, que se pratica uma vez por semana, ou, menos ainda, de gestos improvisados de boa vontade para pôr a consciência em paz. Estas experiências, embora válidas e úteis a fim de sensibilizar para as necessidades de tantos irmãos e para as injustiças que frequentemente são a sua causa, deveriam abrir a um verdadeiro encontro com os pobres e dar lugar a uma partilha que se torne estilo de vida. Na verdade, a oração, o caminho do discipulado e a conversão encontram, na caridade que se torna partilha, a prova da sua autenticidade evangélica. E deste modo de viver derivam alegria e serenidade de espírito, porque se toca com as mãos a carne de Cristo. Se realmente queremos encontrar Cristo, é preciso que toquemos o seu corpo no corpo chagado dos pobres, como resposta à comunhão sacramental recebida na Eucaristia. O Corpo de Cristo, partido na sagrada liturgia, deixa-se encontrar pela caridade partilhada no rosto e na pessoa dos irmãos e irmãs mais frágeis. Continuam a ressoar de grande atualidade estas palavras do santo bispo Crisóstomo: «Queres honrar o corpo de Cristo? Não permitas que seja desprezado nos seus membros, isto é, nos pobres que não têm que vestir, nem O honres aqui no tempo com vestes de seda, enquanto lá fora O abandonas ao frio e à nudez» (Hom. in Matthaeum, 50, 3: PG 58).

Portanto somos chamados a estender a mão aos pobres, a encontrá-los, fixá-los nos olhos, abraçá-los, para lhes fazer sentir o calor do amor que rompe o círculo da solidão. A sua mão estendida para nós é também um convite a sairmos das nossas certezas e comodidades e a reconhecermos o valor que a pobreza encerra em si mesma.

4. Não esqueçamos que, para os discípulos de Cristo, a pobreza é, antes de mais, uma vocação a seguir Jesus pobre. É um caminho atrás d’Ele e com Ele: um caminho que conduz à bem-aventurança do Reino dos céus (cf. Mt 5,3; Lc 6,20). Pobreza significa um coração humilde, que sabe acolher a sua condição de criatura limitada e pecadora, vencendo a tentação de omnipotência que cria em nós a ilusão de ser imortal. A pobreza é uma atitude do coração que impede de conceber como objetivo de vida e condição para a felicidade o dinheiro, a carreira e o luxo. Mais, é a pobreza que cria as condições para assumir livremente as responsabilidades pessoais e sociais, não obstante as próprias limitações, confiando na proximidade de Deus e vivendo apoiados pela sua graça. Assim entendida, a pobreza é o metro que permite avaliar o uso correto dos bens materiais e também viver de modo não egoísta nem possessivo os laços e os afetos (cf. Catecismo da Igreja Católica, n. 25-45).

Assumamos, pois, o exemplo de São Francisco, testemunha da pobreza genuína. Ele, precisamente por ter os olhos fixos em Cristo, soube reconhecê-Lo e servi-Lo nos pobres. Por conseguinte, se desejamos dar o nosso contributo eficaz para a mudança da história, gerando verdadeiro desenvolvimento, é necessário escutar o grito dos pobres e comprometermo-nos a erguê-los do seu estado de marginalização. Ao mesmo tempo recordo, aos pobres que vivem nas nossas cidades e nas nossas comunidades, para não perderem o sentido da pobreza evangélica que trazem impresso na sua vida.

5. Conhecemos a grande dificuldade que há, no mundo contemporâneo, de poder identificar claramente a pobreza. E todavia esta interpela-nos todos os dias com os seus inúmeros rostos marcados pelo sofrimento, pela marginalização, pela opressão, pela violência, pelas torturas e a prisão, pela guerra, pela privação da liberdade e da dignidade, pela ignorância e pelo analfabetismo, pela emergência sanitária e pela falta de trabalho, pelo tráfico de pessoas e pela escravidão, pelo exílio e a miséria, pela migração forçada. A pobreza tem o rosto de mulheres, homens e crianças explorados para vis interesses, espezinhados pelas lógicas perversas do poder e do dinheiro. Como é impiedoso e nunca completo o elenco que se é constrangido a elaborar à vista da pobreza, fruto da injustiça social, da miséria moral, da avidez de poucos e da indiferença generalizada!

Infelizmente, nos nossos dias, enquanto sobressai cada vez mais a riqueza descarada que se acumula nas mãos de poucos privilegiados, frequentemente acompanhada pela ilegalidade e a exploração ofensiva da dignidade humana, causa escândalo a extensão da pobreza a grandes sectores da sociedade no mundo inteiro. Perante este cenário, não se pode permanecer inerte e, menos ainda, resignado. À pobreza que inibe o espírito de iniciativa de tantos jovens, impedindo-os de encontrar um trabalho, à pobreza que anestesia o sentido de responsabilidade, induzindo a preferir a abdicação e a busca de favoritismos, à pobreza que envenena os poços da participação e restringe os espaços do profissionalismo, humilhando assim o mérito de quem trabalha e produz: a tudo isso é preciso responder com uma nova visão da vida e da sociedade.

Todos estes pobres – como gostava de dizer o Beato Paulo VI – pertencem à Igreja por «direito evangélico» (Discurso de abertura na II Sessão do Concílio Ecuménico Vaticano II, 29/IX/1963) e obrigam à opção fundamental por eles. Por isso, benditas as mãos que se abrem para acolher os pobres e socorrê-los: são mãos que levam esperança. Benditas as mãos que superam toda a barreira de cultura, religião e nacionalidade, derramando óleo de consolação nas chagas da humanidade. Benditas as mãos que se abrem sem pedir nada em troca, sem «se» nem «mas», nem «talvez»: são mãos que fazem descer sobre os irmãos a bênção de Deus.

6. No termo do Jubileu da Misericórdia, quis oferecer à Igreja o Dia Mundial dos Pobres, para que as comunidades cristãs se tornem, em todo o mundo, cada vez mais e melhor sinal concreto da caridade de Cristo pelos últimos e os mais carenciados. Quero que, aos outros Dias Mundiais instituídos pelos meus Predecessores e sendo já tradição na vida das nossas comunidades, se acrescente este, que completa o conjunto de tais Dias com um elemento requintadamente evangélico, isto é, a predileção de Jesus pelos pobres.

Convido a Igreja inteira e os homens e mulheres de boa vontade a fixar o olhar, neste dia, em todos aqueles que estendem as suas mãos invocando ajuda e pedindo a nossa solidariedade. São nossos irmãos e irmãs, criados e amados pelo único Pai celeste. Este Dia pretende estimular, em primeiro lugar, os crentes, para que reajam à cultura do descarte e do desperdício, assumindo a cultura do encontro. Ao mesmo tempo, o convite é dirigido a todos, independentemente da sua pertença religiosa, para que se abram à partilha com os pobres em todas as formas de solidariedade, como sinal concreto de fraternidade. Deus criou o céu e a terra para todos; foram os homens que, infelizmente, ergueram fronteiras, muros e recintos, traindo o dom originário destinado à humanidade sem qualquer exclusão.

7. Desejo que, na semana anterior ao Dia Mundial dos Pobres – que este ano será no dia 19 de novembro, XXXIII domingo do Tempo Comum –, as comunidades cristãs se empenhem na criação de muitos momentos de encontro e amizade, de solidariedade e ajuda concreta. Poderão ainda convidar os pobres e os voluntários para participarem, juntos, na Eucaristia deste domingo, de modo que, no domingo seguinte, a celebração da Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo resulte ainda mais autêntica. Na verdade, a realeza de Cristo aparece em todo o seu significado precisamente no Gólgota, quando o Inocente, pregado na cruz, pobre, nu e privado de tudo, encarna e revela a plenitude do amor de Deus. O seu completo abandono ao Pai, ao mesmo tempo que exprime a sua pobreza total, torna evidente a força deste Amor, que O ressuscita para uma vida nova no dia de Páscoa.

Neste domingo, se viverem no nosso bairro pobres que buscam proteção e ajuda, aproximemo-nos deles: será um momento propício para encontrar o Deus que buscamos. Como ensina a Sagrada Escritura (cf. Gn 18, 3-5; Heb 13, 2), acolhamo-los como hóspedes privilegiados à nossa mesa; poderão ser mestres, que nos ajudam a viver de maneira mais coerente a fé. Com a sua confiança e a disponibilidade para aceitar ajuda, mostram-nos, de forma sóbria e muitas vezes feliz, como é decisivo vivermos do essencial e abandonarmo-nos à providência do Pai.

8. Na base das múltiplas iniciativas concretas que se poderão realizar neste Dia, esteja sempre a oração. Não esqueçamos que o Pai Nosso é a oração dos pobres. De facto, o pedido do pão exprime o abandono a Deus nas necessidades primárias da nossa vida. Tudo o que Jesus nos ensinou com esta oração exprime e recolhe o grito de quem sofre pela precariedade da existência e a falta do necessário. Aos discípulos que Lhe pediam para os ensinar a rezar, Jesus respondeu com as palavras dos pobres que se dirigem ao único Pai, em quem todos se reconhecem como irmãos. O Pai Nosso é uma oração que se exprime no plural: o pão que se pede é «nosso», e isto implica partilha, comparticipação e responsabilidade comum. Nesta oração, todos reconhecemos a exigência de superar qualquer forma de egoísmo, para termos acesso à alegria do acolhimento recíproco.

9. Aos irmãos bispos, aos sacerdotes, aos diáconos – que, por vocação, têm a missão de apoiar os pobres –, às pessoas consagradas, às associações, aos movimentos e ao vasto mundo do voluntariado, peço que se comprometam para que, com este Dia Mundial dos Pobres, se instaure uma tradição que seja contribuição concreta para a evangelização no mundo contemporâneo.

Que este novo Dia Mundial se torne, pois, um forte apelo à nossa consciência crente, para ficarmos cada vez mais convictos de que partilhar com os pobres permite-nos compreender o Evangelho na sua verdade mais profunda. Os pobres não são um problema: são um recurso de que lançar mão para acolher e viver a essência do Evangelho.

Vaticano, Memória de Santo António de Lisboa, 13 de junho de 2017.

Franciscus

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